Discipulado: A Chave para o Crescimento da Igreja

05/12/2011 13:28

 

Discipulado: Definições!

 
*José Gonçalves O que é o discipulado?
Todo obreiro quando assume o Ministério Pastoral, logo se conscientiza que uma das maiores necessidades da igreja é o de discipular seus membros. Todo esforço gasto em evangelismo vai pelos ares quando a igreja não consegue discipular os seus recém - convertidos. O discipulado é uma das maiores chaves do crescimento da igreja. Alguém já observou que a porta dos fundos da igreja é maior do que a de entrada. Isso é uma verdade fácil de ser comprovada. Perdemos mais do que ganhamos, e a resposta está em nossa forma errada de discipular ou o mais grave: em não discipularmos. Mas o que é discipulado? Tony Evans responde: “Discipulado é aquele processo de desenvolvimento da igreja local que progressivamente conduz os cristãos da infância para a maturidade espiritual, de tal maneira que se tornam capazes de repetir o processo com outra pessoa” . Por esta definição de Evans, discipulado é a preparação de crentes para gerar outros crentes. Esse é o modelo bíblico e ideal. No livro de Atos, encontramos o apóstolo Paulo na sua primeira viagem missionária “fortalecendo as almas dos discípulos” (At. 14:22). Havia uma preocupação da igreja apostólica com os recém – convertidos no sentido de fazê-los crescer. Somente os crentes maduros produzem frutos. Como discipular com eficiência Mas quando lideramos uma igreja descobrimos que fazer discípulos não é uma tarefa fácil. Estamos atrás de resultados, por isso no que diz respeito ao discipulado, a pergunta mais importante parece ser: como discipular? A resposta a esta pergunta não pode ser dada com tanta singeleza, principalmente quando não encontramos no Novo Testamento um conjunto de regras e fórmulas acerca do discipulado. Há pastores que após longos anos de experiência acreditam que o discipulado será mais bem desenvolvido se seguirmos alguns passos na sua condução. Por outro lado há outros que pensam que a melhor maneira de discipularmos o novo crente é justamente integrando-o à igreja, e não apenas seguindo fórmulas prontas. No primeiro grupo podemos citar Gary W. Kuhne que nos ensina a regra dos dez passos para um discipulado dinâmico; já no segundo grupo, Tony Evans representa bem aqueles que defendem um discipulado mais solto . Para Evans o discipulado se desenvolve num contexto de dinamismo da igreja. Acredito que longe de se contradizerem, as posições desses líderes se complementam. Os princípios expostos por Kuhne em seus dez passos se ajustam perfeitamente àquilo que Evans chama de os quatro pilares indispensáveis para a maturidade cristã” . Em última análise esses líderes seguem as mesmas pistas neotestamentárias para discipular suas igrejas. Pois bem, já sabemos que não encontraremos fórmulas prontas e acabadas no Novo Testamento sobre o discipulado, mas por outro lado temos a garantia de que os princípios nele encontrados são perfeitamente adaptáveis à igreja de hoje. Isso não somente nos ajudará a por em prática a dinâmica do discipulado dos primitivos cristãos, como também nos capacitará a responder a nossa pergunta: como discipular? 1. O Ministério da visitação No livro de Atos dos apóstolos, lemos: “alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: voltemos agora para visitar os irmãos por todas as cidades, nas quais anunciamos a palavra do Senhor, para ver como passam.” (At. 15:36). A palavra visitar neste texto traduz o termo grego episkeptomai , que ocorre 11 vezes nas páginas do Novo Testamento grego. Dessas onze ocorrências, somente uma não contém o sentido de “visitar”. Nas páginas do Novo Testamento Grego, essa palavra tem o sentido de: “ver com os olhos”, isto é, significa que alguém foi no próprio local ( in loco) averiguar por si mesmo determinada situação. 2. A Escola Dominical Nenhum modelo de discipulado sério pode deixar de fora a Escola Dominical. O próprio ministério da visitação, do qual falamos aqui, deve servir em um primeiro momento como um instrumento introdutório ao novo crente na Escola Dominical. Há algum tempo li uma entrevista que um importante líder de uma igreja eletrônica deu a um determinado periódico evangélico. Ele foi indagado porque a sua igreja não adotava a Escola Dominical como forma de discipulado. Fiquei impressionado com a resposta que ele deu: “A Escola Dominical foi inventada por alguém. Não está nem na Bíblia.” Sinceramente acredito que esta resposta serve mais para esconder a verdade do que para revelá-la. De fato as igrejas eletrônicas, que funcionam via satélite, não se preocupam com o discipulado de seus membros. Isto explica a existência de um fenômeno que as agências de pesquisas vêm detectando ultimamente no meio evangélico - a existência dos crentes migratórios. Crentes que crescem sem nenhum vínculo com igreja alguma. São nômades. Não possuem tradição teológica alguma . A Escola Bíblica Dominical tem o importante papel de fornecer aos membros de nossas igrejas um estudo sadio e sistemático. De fato ela é um dos maiores responsáveis pela formação do caráter espiritual de nossos crentes. Alegar que não se adota esse eficaz modelo de discipulado porque ele “não está na Bíblia”, apenas revela ignorância da própria Bíblia e da história. Será que se muitos obreiros das igrejas eletrônicas tivessem freqüentado de fato uma boa Escola Dominical nós veríamos ensinos nada ortodoxos sendo pregados? Por exemplo, o que fala da “unção com sangue”? ou aquele que propaga o “ banho com sabonete ungido”? Por certo não. O preparo do professor da classe de discipulado da ED Dentro deste contexto é oportuno falarmos sobre a qualificação dos educadores. Ao se referir aquele que exerce uma função pedagógica na igreja, o apóstolo Paulo foi bem claro ao se referir ao mesmo: “Seja apto para ensinar.” (1 Tm 3.2). No processo de integração do novo crente à igreja o professor da ED tem um papel fundamental. É oportuno por em destaque aqui figura do professor da ED como educador. E junto com ele as ferramentas que o ajudarão a exercer o seu ofício. 1. habilidade A meu ver uma das principais ferramentas nesse processo é a qualificação. Que aqui deve ser entendida como habilidade. O professor da ED necessita está consciente de que a possui. Isso está embutido no próprio conceito dado para ensinar (gr. didaktikos) e mestre (gr. didaskalos). Ambos os vocábulos, originados da mesma raiz verbal (gr. Didasko) trazem a idéia de habilidade adquirida. O professor, sem desculpa alguma, necessita ter habilidade para poder ensinar. Ora ninguém nasce habilidoso. A habilidade é uma virtude adquirida e não uma qualidade herdada. A recomendação bíblica para os que querem exercer o ministério de ensino é clara: “seja apto para ensinar.” (1 Tm 3.2). A palavra grega usada para “ensinar” é didaktikos. É desta palavra que vem o nosso vocábulo didática. O léxico de Joseph H. Thayer traduz didaktikos como “hábil para ensinar.” Tenho observado que todas as vezes que se fala em se qualificar melhor os crentes, pastores, evangelistas e especialmente os mestres (professores), muitas vozes se levantam contrária à idéia. Já vi alguém dizer que o que importa mesmo é se o crente tem vocação. Sem dúvida alguma a vocação é a pedra angular na vida cristã, sem ela nenhum edifício cristão pode ser erguido. Mas ela não anula a necessidade de uma boa formação. Quando alguém se esconde atrás de uma suposta vocação para não cumprir uma obrigação, uma exigência bíblica, ele está pecando por omissão. Na verdade ela deveria ser a força motriz que induziria todo cristão a se qualificar para melhor desempenhar a sua função. 2. Conteúdo Deve ser lembrado que a habilidade para ensinar está diretamente relacionada ao domínios dos conteúdos pelo educando. Só pode dar quem tem o que dar. Muitas vezes nem sempre esse é o critério usado na escolhas dos professores. Geralmente o que é observado pelo senso comum são apenas aquilo que denominamos de dons inatos. Aqui entra o talento e o carisma. Sem dúvida uma pessoa carismática e talentosa leva vantagem sobre aqueles que não exercem essas virtudes. Mas nem o talento nem o carisma podem funcionar como substitutos de uma boa formação pedagógica. O talento, por exemplo, não deve ser confundido simplesmente com aptidão e dom inato. Até mesmo o carisma, dizem os especialistas, pode ser aperfeiçoado. O geneticista André Ramos observa que “a genética aponta tendências, mas não determina destinos. É a interação dos genes com o ambiente que produz resultados.

” Robert Wong lembra que : “Não basta falar em público. É preciso ter o que dizer.”

Dentro desse contexto é que o professor deve atuar como um mediador desses conteúdos na transmissão do conhecimento ao educando. O educando, portanto, não deve ser visto apenas como um banco onde os conteúdos serão depositados. Mas como alguém que interage nesse processo. Paulo Freire, o famoso educador, já denunciava essa forma errada de educar! O crescimento da igreja, tanto quantitativo como qualitativo, será diretamente proporcional ao lugar que o discipulado ocupa na vida da igreja. Discipulado forte, igreja forte, discipulado deficiente, igreja anêmica. 
 
Autor: José Gonçalves